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Já era assim na antiga Roma
Esta vala entre as classes
Das pessoas ditas civilizadas.
Aliás, Aristóteles noticia na Política
Que para amainar os ânimos
Da plebe, havia na Grécia
Os banquetes públicos.
Todavia, aqui nos trópicos,
É acentuada esta vala e escancara
A vultosos olhos vistos
A vantagem que o poder constituído
Assoma da condição dos excluídos
Exemplifica este niilismo
A comemoração de quase cinco séculos
Da metrópole São Paulo:
De um lado, os devoradores do bolo gigante;
D’outro – bem distante –
O governo e seu séqüito
Zombam dos convivas
Alijados, eternamente, das bodas do capitalismo.
Cid Rodrigues Rubelita

criado por arhodrigues
16:25:41Agora que me abandonaste aqui "tadim"
na imensidão desta espera sem fim
depois de me adulares com o quindim
que há nas tuas poesias, meu serafim...
Quisera eu ser grande,
bem mais maior de grande,
enorme, desproporcional o bastante
para, num passo de gigante,
vencer distância colossal;
e romper a linha limítrofe de teu semblante
e sentir teus poros ofegantes
e repousar na sombra atenuante
de teus sílios brilhantes
esta saudade descomunal.
Quisera eu ser pequenino,
a milésima parte de um átomo,
imperceptível microorganismo minúsculo,
invasor das redes de fibra óptica;
para, obliteradas a convenção e a lógica,
alar na penumbra do crepúsculo
e espocar na âncora de teus braços
feito bolhas incontidas de quinino.
Cid Rodrigues Rubelita

criado por arhodrigues
15:24:26Quando se está na fase gestatória
Há um intervalo entre a existência e a vida.
É que para a cotidiana memória
A pessoa só existe se passível de ser vista.
Quando se vive na inocência de ser criança
Não há intervalos entre as brincadeiras e os sonhos
A não ser aqueles intervalos longos
Entre a boca da noite e o raiar da manhã.
Quando se está arrebatado por uma paixão
A vida se nos apresenta pautada de intervalos.
Se não está ao alcance de nossos braços
A pessoa que a gente ama, forma-se um vão...
Que mais se afigura um abismo.
Quando a chuva pára de cair
Após uma tempestade de verão
Entre a derradeira gota e o chão
Há um intervalo em que o sol voltar a luzir.
Entre as viagens de idas e vindas
Entre os encontros e as despedidas
Há um intervalo raso de saudades infindas
Nesta intolerável ausência da pessoa querida.
Cid Rodrigues Rubelita

criado por arhodrigues
14:58:52Agora que se aproximam os festejos,
as pessoas se atropelam nos corredores
dos shoppings e nas sufocantes avenidas,
em busca de adereços e de supérfluos objetos.
Todavia, aquém destes ornamantos, um desejo
vasto e nu de se completarem com amores;
mas, na dubiedade, as pessoas não vêem que na vida
a essencialidade singular é o amor, a felicidade, o afeto.
Ofuscados pelo brilho dos diamantes,
os humanos não percebem amiúde,
que é no plano imaterial, além de vicissitudes,
e desnudo, que o viver revela-se significante.
Cid Rodrigues Rubelita

criado por arhodrigues
14:51:15