Pausa à poética

Neste virtual e quase infinito espaço, um anônimo e singular poeta pretende expressar suas desimportantes impressões diárias e perturbadoras acerca dos mundos reais e das atitudes, não raras vezes, banais dos animais rotulados de racionais.

Pausa à poética

Neste virtual e quase infinito espaço, um anônimo e singular poeta pretende expressar suas desimportantes impressões diárias e perturbadoras acerca dos mundos reais e das atitudes, não raras vezes, banais dos animais rotulados de racionais.
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Terra Blog

Categoria: filosofia

25.01.08

Aspirações

categorias: filosofia

Agora que me abandonaste aqui "tadim"
na imensidão desta espera sem fim
depois de me adulares com o quindim
que há nas tuas poesias, meu serafim...

Quisera eu ser grande,
bem mais maior de grande,
enorme, desproporcional o bastante
para, num passo de gigante,
vencer distância colossal;

e romper a linha limítrofe de teu semblante
e sentir teus poros ofegantes
e repousar na sombra atenuante
de teus sílios brilhantes
esta saudade descomunal.

Quisera eu ser pequenino,
a milésima parte de um átomo,
imperceptível microorganismo minúsculo,
invasor das redes de fibra óptica;

para, obliteradas a convenção e a lógica,
alar na penumbra do crepúsculo
e espocar na âncora de teus braços
feito bolhas incontidas de quinino.

Cid Rodrigues Rubelita

Intervalos

categorias: filosofia

Quando se está na fase gestatória
Há um intervalo entre a existência e a vida.
É que para a cotidiana memória
A pessoa só existe se passível de ser vista.

Quando se vive na inocência de ser criança
Não há intervalos entre as brincadeiras e os sonhos
A não ser aqueles intervalos longos
Entre a boca da noite e o raiar da manhã.

Quando se está arrebatado por uma paixão
A vida se nos apresenta pautada de intervalos.
Se não está ao alcance de nossos braços
A pessoa que a gente ama, forma-se um vão...

Que mais se afigura um abismo.

Quando a chuva pára de cair
Após uma tempestade de verão
Entre a derradeira gota e o chão
Há um intervalo em que o sol voltar a luzir.

Entre as viagens de idas e vindas
Entre os encontros e as despedidas
Há um intervalo raso de saudades infindas
Nesta intolerável ausência da pessoa querida.

Cid Rodrigues Rubelita