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criado por arhodrigues
11:22:31Diante dele, dizia o imortal poeta Dante:
"O amor me move: só por ele eu falo".
Pois comigo é diferente:
ora, o amor me paralisa;
sinto um nó na goela,
perco a fala,
a noção e o norte.
Ora, me enche de asas,
me regozija;
viajo entre estrelas,
de carona com a sorte.
Ajo feito um demente,
consoante as regras postas
e os costumes vigentes
e impostos pela habitual convenção.
Diante do amor, a mim me importa
o silêncio, a lava ardente
que inunda, derrete e rasa meu coração.
Cid Rodrigues Rubelita

criado por arhodrigues
11:15:06
criado por arhodrigues
11:01:04
criado por arhodrigues
10:38:35Excluídas as exigências convencionais,
elididas as diferenças sociais,
suprimidas as indiferenças raciais
e vencidas as filosofias dos intelectuais,
os humanos somos animais cotidianamente
carentes apenas de contato, de olfato, de tato,
e não de sapatos, aparatos e contratos;
carentes de calor, de amor, de despudor,
e não de avião, promoção e título de doutor;
carentes de carícia, de malícia, de preguiça,
e não de influência, fluência e contas na Suiça;
carentes de paixão, de emoção, de tentação,
e não de guerra, terras e grades de proteção;
carentes de relacionamento, de cumprimento, de sentimento,
e não de isolamento, armamento e muros de confinamento,
carentes de beijo, de desejo, de gestos benfasejos,
e não de guerrilha, quadrilha e ilhas de desterro;
carentes de paz, de cantigas, de poesia,
e não de rolex, duplex, veleiros carcomidos pela maresia;
e porque ninguém é de ferro nem de água
nós somos carecedores desmedidos
de dengo, chamego, cafuné e sexo;
mas para tal, é urgente que se faça uma claúsula
que declare a permissividade de viver despido;
chega de relógios, gravata, anágua, saia, terno.
Cid Rodrigues Rubelita

criado por arhodrigues
10:33:34